Armitage III. Lore complexa e temas atuais neste ofuscado anime de ficção cyberpunk.

NOTA: 7.0
Este é mais um artigo de nossa seção "Jóias do Passado" onde conhecemos ou revisitamos grandes clássicos da animação japonesa. Veja lista completa no menu superior. 

Armitage III, アミテージ・ザ・サード
Entre meados dos anos 1980 e 90 boa parte das produtoras e estúdios de animação japoneses buscavam criar um blockbuster de ação e ficção cyberpunk para chamar de seu.

O estilo hoje infelizmente relegado ao esquecimento entregou obras memoráveis como Akira, Ghost in The Shell e Bubblegum Crisis, abordando um futuro caótico onde a humanidade alcançou o ápice de seu desenvolvimento tecnológico em contraste com os diversos problemas sociais que isto acarretava.

Estes animes eram parte da empreitada do Japão em conquistar o ocidente influenciado pelo cinema e as inovações que antes existiam somente no imaginário das pessoas mas a cada ano integravam o cotidiano.

Entre os numerados sucessos sempre existem várias outras obras de potencial mas que por questões diversas foram esquecidas.

Este é o caso de Armitage III anime original da AIC, um dos grandes estúdios dos anos 1990, comandado pelo veterano diretor Hiroyuki Ochi.

O ENVOLVIMENTO DA PIONEER

Desde 1981 o Laser Disc se apresentava no Japão como o futuro da mídia física para o mercado audiovisual doméstico e a Pioneer figurava entre as empresas de maior participação neste setor.

Buscando incentivar a venda de aparelhos com a ameaça do DVD chegando as lojas, ela criou a divisão Pioneer Animation tendo o objetivo de produzir séries originais para Laser Disc em parceria com bons estúdios.

Armitage III nasceu como um dos frutos desta iniciativa totalizando 4 OVAs lançadas entre Fevereiro e Novembro de 1995. Os episódios foram compilados no filme "Armitage III: Poly-Matrix" de 1996 e uma sequência chamada Armitage III: Dual-Matrix teve lançamento em 2002, sendo até então o melhor e último projeto da franquia.
QUALQUER SEMELHANÇA COM O FUTURO É MERA COINCIDÊNCIA!

É intrigante pensar que assuntos como a ameaça da inteligência artificial a certos empregos, viagens tripuladas a Marte e a queda da taxa da natalidade em alguns países incluindo o Japão, estejam sendo discutidos agora em 2026 quando na verdade foram profetizados em diversos animes antigos.

Ambientado em 2046 d.c. Armitage III apresenta uma trama onde a humanidade tinha finalmente colonizado Marte no entanto após a queda expressiva do número de nascimentos após a quarta geração, governo e empresas privadas expandiram a produção de androides para suprir a carência populacional.

Alguns deles eram puramente mecânicos tendo uma CPU eletrônica porém a grande revolução estava em modelos avançados apelidados de The Thirds (Os Terceiros). Idênticos a humanos naturais eles possuíam cérebros biológicos, eram capazes de expressar emoções complexas e assumir papéis artísticos na música, pintura e literatura.

Tanto androides básicos quanto Thirds começaram a ganhar espaço e de repente humanos naturais foram perdendo empregos e importância socioeconômica gerando reações violentas.

Neste contexto surge Naomi Armitage, uma investigadora Third caracterizada pela baixa estatura, atitude rebelde, óculos estilosos e vestimentas chamativas, quase de uma striper. Ao lado do novo parceiro humano, o detetive Ross Sylibus, ela investiga os assassinatos de um serial killer louco que tinha como alvo apenas Thirds de destaque na sociedade.

UMA SEQUÊNCIA APRIMORADA.

Naomi sempre foi o tema central por representar uma evolução ainda maior. Ela seria a primeira Third da história com sistema reprodutor capaz portanto de gerar filhos. Seu relacionamento com Ross resulta no nascimento de Yoko, uma garotinha entre 7 e 8 anos de idade que também protagonizava a sequência lançada em 2002 com o filme Armitage III: Dual-Matrix.

Tendo visual aprimorado o conflito desta vez girava em torno de um cruel magnata da tecnologia que buscava a qualquer custo obter o código fonte que tornava Naomi especial. Desavenças entre a Terra e Marte também foram abordadas uma vez que, por "interesse colonizador", o governo terrestre fazia resistência a criação de um oceano em Marte através de meteoros de gelo arremessados na superfície do planeta vermelho.

VISUAL E ANIMAÇÃO

As 4 OVAS de 1995 tinham animação decente para a época mas é bom frisar que haviam produções superiores como o primeiro filme de "The Ghost in the Shell", um clássico também lançado naquele ano.

Especialmente no longa de 2002 Armitage teve Hiroyuki Kitazume como designer, artista pertencente a uma escola que priorizava o realismo à beleza. Seus personagens têm aparência que lembram pessoas normais incluindo as imperfeições em partes como lábios, nariz e olhos.

Ele também trabalhou em Sol Bianca daí a semelhança visual em ambos animes.

POR QUE FOI ESQUECIDO?

Armitage III não conseguiu o alcance que The Ghost in The Shell teve na mesma época. Apesar da lore complexa seu enredo não era exatamente maestral e a animação, embora competente, não chegava ao excepcional. 

O filme Dual-Matrix de 2002, superior em vários quesitos, chegou um tanto tarde no fim da era de ouro da ficção cyberpunk que começava a perder força substituída por outros estilos como o Moe, comédias românticas e animes de fantasia e ambientação medieval.

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ILUSTRAÇÕES DO ANIME
Armitage III, アミテージ・ザ・サード
Armitage III, アミテージ・ザ・サード

Referências: Giganalise AnimeMAL1MAL2

Armitage III, アミテージ・ザ・サード